domingo, 3 de maio de 2009

A Virada!

Eu encarei.

São Paulo é uma cidade com muitas faces. Eu conheço várias delas. A calma da biblioteca do Centro Cultural, a natureza da Serra da Cantareira, a reflexão da fonte do Ibirapuera, as descobertas da feirinha do Center 3, a cultura dos Sescs, o efervecer da Vila Madalena, o refúgio do Jardim Botânico, a culinária, a música, a arte, a boemia, os encontros, os contrastes... eu adoro São Paulo e vivo diariamente esse pluralismo, sabendo aproveitar cada momento.

Mas ontem foi diferente. A Virada Cultural é quase que um resumo de São Paulo em apenas 24 horas. Apesar de este ano os artistas mais conhecidos não estarem presentes, acho que foi a virada que eu mais aproveitei.

Comecei com uma peça de teatro no Sesc Paulista. Entre as várias coisas que aconteceram por lá, só consegui comprar o ingresso para o "The Cachorro Manco Show". A noite começou bem, uma peça simples, engraçada, perturbadora e com um texto ótimo. Depois fui com a Renata dar uma volta no centro da cidade, onde estavam a maior parte das atividades. A aventura começou pelo metrô (gente de todo o tipo) e continhou pelas ruas do centro (gente de todo o tipo mesmo!).

Eu adorei a caminhada. A cidade cheia, animada, colorida e musicada. Policiais por toda a parte deixaram o passeio mais seguro: quem dera fosse assim todas as noites. Era tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que mal dava pra escolher um lugar só. Deixo um destaque aqui para o palco da Rio Branco, com samba-rock, e o prédio da prefeitura com uma performance de uma bicicleta fazendo rapel (pelo menos era o que parecia, não pude ficar mais tempo pra entender).

De lá fui para o Sesc Consolação para um show de música latina com uma banda cubana. O show tava meio morno, mas os dançarinos eram excelentes. Fechei a noite com chave de ouro, da forma que eu mais gosto: o bom e velho caldinho de feijão do Filial, na Vila Madalena.

E a minha primeira virada de verdade foi assim. Bem aproveitada. Já estou ansiosa para o próximo ano.

Deixo aqui ainda um mini-diálogo que rolou durante a virada ao estilo skankarado pra descontrair:

"Rê: - Olha essas meninas. - apontando para um grupo de garotas no metrô carregando grandes bonecos de pano- Acho que hoje tudo o que for diferente vai ser encarado como arte. Será que se eu andar sem calças vai ser considerado arte?
Eu: - Acho que hoje vai. A gente podia andar com uma melancia no pescoço e chamar de arte. Ou melhor, e se começarmos a andar de costas agora? Vai ser arte? - e as duas passam a andar de costas no meio do metrô.
Rê: - Olha eu de costas! Estou me expressando!
Eu: - Esse meu andar de costas quer dizer que eu vejo o mundo por outro ângulo.
Rê: - Quer dizer que você vê o mundo de costas.
Eu: - Ou não vejo, já que não tenho olho nas costas. Quer dizer, tenho. Já sei - em um tom de que tinha feito uma grande descoberta - : Esse meu andar de costas quer dizer que eu vejo o mundo através do olho do meu c..."


Plena arte! E o pior é que as duas estavam totalmente sóbrias. Eu tinha comido só um milho de rua, que acho que acabou se transformando em etanol dentro da minha barriga e fez efeito no meu cérebro.. haha. Mas pelo menos me diverti, acho que é bom às vezes encontrar minhas amigas e falar bobagem.

Um abraço,
Frô.
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Um comentário:

Renatinha disse...

Nossa Lu, foi perfeito mesmo. Mais um daqueles momentos de felicidade nas pequenas coisas. Me diverti muito. Não pela companhia, pq essa sempre me diverte, mas pelas descobertas que fizemos juntas.
Como eu disse, me senti olhando SP pela primeira vez (acho que pq essa é a SP que eu queria ver todos os dias).
Vc esqueceu de citar que o milho tinha efeito embelazante, ou será que virou etanol mesmo e foi por isso que vimos tantos homens bonitos?
Bjs